(O diálogo que gostaria de ter comigo)
Tiago 1 - Finalmente!
Tiago 2 - Então pá, encontraste-me hein?
T1- Sim, mas espera. Deixa-me olhar para mim.
Nunca tinha visto as minhas orelhas!
Nem nunca tinha visto o meu nariz! Nem os meus lábios!
E muito menos os meus olhos!
Apenas tinha visto isso tudo em reflexos... com que então é assim que eu sou...
T2 - Não. Diz antes: é assim que tu pareces.
T1 - Isso, isso. Tens razão.
T2 - E agora que me encontraste, o que vais fazer?
T1 - Hum. Boa pergunta. Para que me serve conhecer-me, afinal?
Ando há quase 25 anos a conviver com um desconhecido,
sem nunca ter metido conversa comigo, e não me tenho safado nada mal.
Por isso, repito, de que serve conhecer-me?
T2 - Para que possas melhor calcular as tuas decisões, para que faças sentido,
para compreenderes as tuas reacções...
T1 - Bah! Pensava que queria isto mas não quero. Vou-me embora, adeus!
T2 - Então? Espera! Conhece-me! estou aqui! Olha-me!
T1 - Não. afasta-te! Ainda estou a tempo de permanecer desconhecido.
Desaparece.
O mundo tem 6 mil milhões de pessoas. Elas que me conheçam.
Não há nada mais estimulante que ver-me ao espelho e ele mostrar-me um mistério.
E é assim que quero permanecer.
T2 - Então para que cá vieste?
T1 - Para me relembrar que não te quero conhecer.
Não quero perder a capacidade de me surpreender todos os dias.
Assim, quando morrer, não terei perdido um amigo, nem um conhecido,
apenas um homem misterioso que assim permanecerá para sempre.
Os outros que me chorem.
T2 - Mas assim nunca vais chegar até mim. Até ti.
T1 - De mim só quero distância, por isso, desaparece, já disse.
Nada melhor que o nevoeiro para ocultar as trevas.
T2 - E se o nevoeiro ocultar algo de bom?
T1 - Também não quero isso para mim. Que fique para os outros.
T2 - Vais-te arrepender.
T1 - Adeus!
ESCRITO POR TIAGO COSTA
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